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"Maravilha de Cáos"!!!!, Rio de Janeiro, Brazil
Um Ser em construção,em constante Mutação!!! Ainda por demais imperfeito...Cheio de defeitos !!!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

           
 
  • Cuidado com seus pensamentos, eles se tornarão palavras.
  • Cuidado com suas palavras, elas se tornarão atos.
  • Cuidado com seus atos, eles se tornarão hábitos.  
  • Cuidado com seus hábitos, eles moldam o seu caráter.
Fonte: http://www.capsaicina.com.br/

domingo, 13 de novembro de 2011

QUEM É VOCE DE VERDADE ???


Monólogo de uma Sombra



Augusto dos Anjos





"Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias!
A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios...
E é de mim que decorrem, simultâneas,
A sáude das forças subterrâneas
E a morbidez dos seres ilusórios!
Pairando acima dos mundanos tetos,
Não conheço o acidente da Senectus
- Esta universitária sanguessuga
Que produz, sem dispêndio algum de vírus,
O amarelecimento do papirus
E a miséria anatômica da ruga!
Na existência social, possuo uma arma
- O metafisicismo de Abidarma -
E trago, sem bramánicas tesouras,
Como um dorso de azémola passiva,
A solidariedade subjetiva
De todas as espécies sofredoras.
Como um pouco de saliva quotidiana
Mostro meu nojo á Natureza Humana.
A podridão me serve de Evangelho...
Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques
E o animal inferior que urra nos bosques
E com certeza meu irmão mais velho!
Tal qual quem para o próprio túmulo olha,
Amarguradamente se me antolha,
À luz do americano plenilúnio,
Na alma crepuscular de minha raça
Como urna vocação para a Desgraça
E um tropismo ancestral para o Infurtúnio.
Aí vem sujo, a coçar chagas plebéias,
Trazendo no deserto das idéias
O desespero endêmico do inferno,
Com a cara hirta, tatuada de fuligens
Esse mineiro doido das origens,
Que se chama o Filósofo Moderno!
Quis compreender, quebrando estéreis normas,
A vida fenomênica das Formas,
Que, iguais a fogos passageiros, luzem...
E apenas encontrou na idéia gasta,
O horror dessa mecânica nefasta,
A que todas as coisas se reduzem!
E hão de achá-lo, amanhã, bestas agrestes,
Sobre a esteira sarcófaga das pestes
A mostrar, já nos últimos momentos,
Como quem se submete a uma charqueada,
Ao clarão tropical da luz danada,
O espólio dos seus dedos peçonhentos.
Tal a finalidade dos estames!
Mas ele viverá, rotos os liames
Dessa estranguladora lei que aperta
Todos os agregados perecíveis,
Nas eterizações indefiníveis
Da energia intra-atômica liberta!
Será calor, causa ubíqua de gozo,
Raio X, magnetismo misterioso,
Quimiotaxia, ondulação aérea,
Fonte de repulsões e de prazeres,
Sonoridade potencial dos seres,
Estrangulada dentro da matéria!
E o que ele foi: clavículas, abdômen,
O coração, a boca, em síntese, o Homem,
- Engrenagem de vísceras vulgares -
Os dedos carregados de peçonha,
Tudo coube na lógica medonha
Dos apodrecimentos musculares!
A desarrumação dos intestinos
Assombra! Vede-a! Os vermes assassinos
Dentro daquela massa que o húmus come,
Numa glutoneria hedionda, brincam,
Como as cadelas que as dentuças trincam
No espasmo fisiológico da fome.
E unia trágica festa emocionante!
A bacteriologia inventariante
Toma conta do corpo que apodrece...
E até os membros da família engulham,
Vendo as larvas malignas que se embrulham
No cadáver malsão, fazendo um s.
E foi então para isto que esse doudo
Estragou o vibrátil plasma todo,
À guisa de um faquir, pelos cenóbios?!...
Num suicídio graduado, consumir-se,
E após tantas vigílias, reduzir-se
À herança miserável de micróbios!
Estoutro agora é o sátiro peralta
Que o sensualismo sodomista exalta,
Nutrindo sua infâmia a leite e a trigo...
Como que, em suas células vilíssimas,
Há estratificações requintadíssimas
De uma animalidade sem castigo.
Brancas bacantes bêbedas o beijam.
Suas artérias hírcicas latejam,
Sentindo o odor das carnações abstêmias,
E á noite, vai gozar, ébrio de vício,
No sombrio bazar do meretrício,
O cuspo afrodisíaco das fêmeas.
No horror de sua anômala nevrose,
Toda a sensualidade da simbiose,
Uivando, á noite, em lúbricos arroubos,
Como no babilônico sansara,
Lembra a fome incoercível que escancara
A mucosa carnívora dos lobos.
Sôfrego, o monstro as vítimas aguarda.
Negra paixão congênita, bastarda,
Do seu zooplasma ofídico resulta...
E explode, igual á luz que o ar acomete,
Com a veemência mavórtica do aríete
E os arremessos de uma catapulta.
Mas muitas vezes, quando a noite avança,
Hirto, observa através a tênue trança
Dos filamentos fluídicos de um halo
A destra descamada de um duende,
Que tateando nas tênebras, se estende
Dentro da noite má, para agarrá-lo!
Cresce-lhe a intracefálica tortura,
E de su'alma na cavema escura,
Fazendo ultra-epiléticos esforços,
Acorda, com os candieiros apagados,
Numa coreografia de danados,
A família alarmada dos remorsos.
É o despertar de um povo subterrâneo!
E a fauna cavernícola do crânio
- Macbetbs da patológica vigília,
Mostrando, em rembrandtescas telas várias,
As incestuosidades sangüinárias
Que ele tem praticado na família.
As alucinações tácteis pululam.
Sente que megatérios o estrangulam...
A asa negra das moscas o horroriza;
E autopsiando a amaríssima existência
Encontra um cancro assíduo na consciência
E três manchas de sangue na camisa!
Míngua-se o combustível da lanterna
E a consciência do sátiro se inferna,
Reconhecendo, bêbedo de sono,
Na própria ânsia dionísica do gozo,
Essa necessidade de horroroso,
Que é talvez propriedade do carbono!
Ah! Dentro de toda a alma existe a prova
De que a dor como um dartro se renova,
Quando o prazer barbaramente a ataca...
Assim também, observa a ciência crua,
Dentro da elipse ignívoma da lua
A realidade de urna esfera opaca.
Somente a Arte, esculpindo a humana mágoa,
Abranda as rochas rígidas, torna água
Todo o fogo telúrico profundo
E reduz, sem que, entanto, a desintegre,
À condição de uma planície alegre,
A aspereza orográfica do mundo!
Provo desta maneira ao mundo odiento
Pelas grandes razões do sentimento,
Sem os métodos da abstrusa ciência fria
E os trovões gritadores da dialética,
Que a mais alta expressão da dor estética
Consiste essencialmente na alegria.
Continua o martírio das criaturas:
- O homicídio nas vielas mais escuras,
- O ferido que a hostil gleba atra escarva,
- O último solilóquio dos suicidas -
E eu sinto a dor de todas essas vidas
Em minha vida anônima de larva!"
Disse isto a Sombra. E, ouvindo estes vocábulos,
Da luz da lua aos pálidos venábulos,
Na ânsia de um nervosíssimo entusiasmo,
Julgava ouvir monótonas corujas,
Executando, entre caveiras sujas,
A orquestra arrepiadora do sarcasmo!
Era a elegia panteísta do Universo,
Na podridão do sangue humano imerso,
Prostituído talvez, em suas bases...
Era a canção da Natureza exausta,
Chorando e rindo na ironia infausta
Da incoerência infernal daquelas frases.
E o turbilhão de tais fonemas acres
Trovejando grandiloquos massacres,
Há-de ferir-me as auditivas portas,
Até que minha efêmera cabeça
Reverta á quietação da treva espessa
E à palidez das fotosferas mortas!

             

sábado, 7 de maio de 2011

UM DIA DAS MÃES INESQUECÍVEL 

Credito: http://diariodafoice.com/2010/05/07/um-dia-das-maes-inesquecivel/ )

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"Eu não tenho mãe. E ser uma espécie de filho de chocadeira do além não é algo muito agradável, acreditem. Faço análise desde que o mundo é mundo para superar este trauma e não consegui nada até hoje a não ser descobrir que minha foice é uma extensão de um falo que eu também não tenho.
Até aceito, numa boa, ser uma aberração desnaturada, cruel e demoníaca, um arquétipo criado na Idade Média representando todo o mal do mundo. Mas ainda assim dói saber que ninguém nunca me deu de comer fazendo “olha o aviãozinho”.
A data para mim é sempre um tormento que vai além de comprar um presente nas Lojas Americanas e ficar horas na fila. Ela me deixa mais sensível, sorumbático, ainda mais depois de um emocionante e fatídico segundo domingo de maio que presenciei anos atrás. Um Dia das Mães que me fez entender o que é ser filho e o que é ser mãe.
Estava eu num asilo de idosos fazendo uma faxina semanal (bem, creio que não preciso dizer que não falo de varrer o chão…) quando entrei no quarto de uma velha senhora acamada que parecia ter uns cem anos, muito doente, e dormindo. Ao lado da cama estava o filho, um sessentão corpulento e de bigode amarelado, segurando a sua mão.
Assim que o homem me viu, assustou-se, e se aproximou de mim já de joelhos:
— Por favor, não leve a minha mãe hoje.
Respirei fundo, com toda paciência do mundo, e lhe disse calmamente:
— E quem disse que eu vim buscar a sua mãe?
Ele ficou pálido. Não sou muito fã das ironias da vida, mas daquela vez achei engraçado. O sujeito ainda tentou desconversar, fingindo que não era com ele.
— A minha tia Lucrécia saiu para tomar um café.
— Também não vim buscar a sua tia — rebati, já perdendo a paciência. Se tem uma coisa que detesto é gente sem simancol.
— M-mas e-eu morri do quê, afinal?!
— Bem, pra resumir: sabe as três pontes de safena que você tem no coração?
— Sei.
— Deveriam ser quatro.
O homem então se resignou, sentou-se na poltrona e acendeu um cigarro num gesto mais que automático. Mas quando percebeu que aquilo só justificava ainda mais o motivo de eu estar ali, apagou-o no mesmo instante, envergonhado. Ele então me puxou para um canto e fez o mais comovente pedido que eu já ouvi na vida.
— Cara Morte, aquela velha senhora ali na cama vai falecer em poucos dias.
— Quarta-feira, pra ser mais exato.
— Pois é. Não é justo para uma mãe perder um filho na véspera de um Dia das Mães. Eu sou tudo o que restou para esta pobre mulher. Foi ela quem me colocou no mundo, foi ela quem me amamentou, sou tudo o que ela ama na vida e sou tudo o que ela vai deixar por aqui. O que eu lhe peço, cara Morte, é apenas mais um dia com ela, somente mais 24 horas. Por favor, eu imploro: dê a esta velha mãe doente a chance de passar um último Dia das Mães com o seu único filho.
Se eu tivesse um coração talvez ficasse emocionado com um pedido tão piegas. Se eu tivesse lágrimas talvez também chorasse. Talvez. Mas preferi demonstrar algo parecido com afeto esticando o prazo, o que raramente faço. Disse que voltaria, sem falta, à meia-noite do próximo dia. O pobre homem me agradeceu jogando-se aos meus pés.
No dia seguinte, em uma morna e ensolarada tarde de domingo, no pequeno almoço de família improvisado no quarto do asilo, a velha senhora e o seu filho tiveram o seu último dia das mães. Eles se abraçaram, se beijaram, ela abriu presentes. Os dois trocaram palavras de carinho, folhearam álbuns com antigas fotos e lembranças de infância. Para ser um comercial de seguro de vida faltou apenas o pianinho com música sentimental ao fundo.
Após a sobremesa, então, a velha senhora ganhou um ar grave e pediu para que o filho se aproximasse dela. Disse que havia um assunto muito importante para conversarem. Ela queria lhe falar de algo que não poderia mais esconder em seu velho coração de mãe, ainda mais por sentir que não viveria muito depois daquele dia (velha esperta!). Ele perguntou o que era. Ela disse com a maior tranquilidade do mundo: “Filho, você foi adotado”.
Ao ouvir isso: vupt! Empacotei o cara na hora, claro. Sem chance de papinho, ataque cardíaco fulminante. Ele veio extremamente irritado pra cima de mim.
— Ficou maluco?! O combinado não era até à meia-noite?!
— Sim, mas o combinado valeria se ela fosse a sua MÃE. Ontem você havia me dito que ela havia posto você no mundo, amamentado, e coisa e tal. Parece que não é o caso.
— E daí? Quem liga pra isso? Essa mulher cuidou de mim a vida toda! Ela me alimentou, me levou pra escola, me levou para passear, ficou do meu lado na hora das doenças, me ajudou nos momentos difíceis, esteve presente nos momentos mais felizes também. Ela me educou para a vida. Mãe não é só quem bota a gente no mundo, seu imbecil! Mãe é QUEM CRIA!
Aí eu não aguentei. Gritei “chega!” e empacotei a velha também. Serviço completo. Levei os dois e fim de papo. Porque eu não sou burro e entendi perfeitamente o que é ser mãe. Só não sou obrigado a ter paciência com gente que cada hora fala uma coisa"...!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

                                            Seção.... 
                 Se essa vida fosse perfeita teria que ter.....

  1. Teria que ter um SkanDisk e um Desfragmentador para a vida real...Quanto mais eu arrumo minhas coisas, mais aparece papel para guardar! Tô começando a achar que eles teêm vida própria e  se reproduzem !!!